sábado, 11 de julho de 2009

Editorial 04/07/2009


Celebridade ou mito? Um artista que há mais de dez anos não se apresentava em um só show, um dia após a sua morte, vende mais que nos anos anteriores. Toda a logística da fabricação, das promoções e vendas dos grandes varejistas precisou ser acionada para atender a demanda dos fãs. Isto nunca aconteceu antes com nenhum outro artista.
Mas o que faz uma celebridade despertar tanta euforia nas pessoas?
Apesar de uma celebridade estar afastada do meio artístico, a própria mídia, seja qual for, realizava um culto à personalidade de alguém que, para muitos, era um ídolo.
Manter a fama e aparecer nos espaços midiáticos confere poder e prestígio: ele não morreu; está aprontando, mas está vivo. Ser um consumidor dos produtos deste ídolo confere certo glamour ao seu fã, principalmente quando se trata de um artista completo: músico, compositor, arranjador, dançarino, coreógrafo, ator e uma dezena de etc. O imaginário das pessoas volta-se ao movimento gerado por alguém tão completo artisticamente, mais o culto à personalidade, à celebridade mantido pelo marketing. Se o principal ocorreu, o que chamam de "cair no gosto do público", tudo mais apenas decorre. Não importa quem seja se desta ou daquela raça, se foi rico, se foi pobre. E gosto é gosto, isso não se discute. Porém, existe o ponto de admiração em um ídolo que é diferente para tantas diferentes pessoas. Talvez esteja aí a dependência causada nessas diferentes pessoas. Ora, pela admiração eu passo a imitar um objeto, um ídolo.
Assim, comprar tudo o que se relaciona com ele, saber tudo o que se passa com ele, é uma maneira de aproximar-se a algo que aparentemente esteja a uma distância inimaginável. Essa euforia de adquirir tudo o que se relaciona ao ídolo, devido ao ponto de admiração, irá gerar um movimento comercial em torno do trabalho e da arte realizada. Isso é importante, pois está gerando receita para toda a corrente produtiva que envolve a produção dos trabalhos do artista. Se o trabalho é realmente bom e admirado, este se torna uma celebridade, e, após a morte, ficará imortalizado em sua obra. Poderá se tornar um mito... ou uma lenda.

Um comentário:

Vera Lúcia disse...

Karina!!
Infelizmente é assim!! Aqui e em todo mundo....
Em vida as notícias saiam e acabavam com a reputação do mesmo.....então os fãs ficavam como nós ficamos.... quando lemos algo a respeito de um candidato ao qual qdo votamos acreditamos que ele seria capaz de fazer algo ...seja pelo nosso País, Estado,ou nossa cidade..... e vamos deixando passar....Ai vem a realidade, que não vamos mais ver aquele que era nosso ídolo mesmo as escondidinhas,pois nos chamariam de "Cumplices" de seus atos....Depois de morto acredita-se que não mais vai fazer mau a quem quer que seja....então.....vamos comprar e guardar para recordação (aquele que um dia) mexeu com a sensibilidade de uma massa global.
Isto é o Mundo!!!
Que Pena.